30 de dezembro de 2015

ESCASSEZ

correria

Onde estão eles? Humanos?

Suas mãos estão cheias de danos,

Seus pés vacilam na sorte,

Desejando o mal do amigo,

Do parente,

Do vizinho,

Do estranho,

Vão sozinhos

Desejando à todos morte.

 Quer gentilezas mas não sabem onde encontrar,

Porque no mundo fez-se escassa a caridade,

A bondade,

A amizade.

Fez-se escassa a verdade

Com a política devassa

Que leciona à sociedade

pregando o dom de trapassear.

 Assim se cresce,

Assim se sobe,

Assim se vence,

Assim se mata.

 Onde estão eles? Princípios Cristãos?

Onde o amor é a matriz.

Fez-se de Judas, o seguidor,

No traidor pôs-se a raíz.

 Onde encontrar?

Um bom conselho,

Um bom amigo,

Um vinho doce,

Um amor benigno

Um bom dia, boa tarde ou boa noite?

 Onde?

A tolerância

A maresia,

A benevolência

A alegria

A amizade, desinteressadamente, inocente?

 A língua infame,

Um velho sábio no chão sangrando,

E quem se interessa?

Se todos se apressam

Na busca perene das posses mundanas.

 E nessa pressa

Vão se perdendo,

Não há promessas

De dias amenos,

E quem se interessa?

E quem vê ao menos?

O tempo é dinheiro

E o dinheiro é o veneno.

30 de dezembro de 2015

CARMA

vendas

Será mesmo um carma de quem ama viver este drama?

Será uma especificidade do amor a contradição?

Esta alegria forjada,

Noutrora cansada,

Pesares e euforias rasgando o peito,

Competindo o mesmo espaço num coração.

Conceitos afrontados daquele que diz “Isto não aceito ou não faço”

já se vendo arrastado pelo orgulho ferido.

A paixão é o perigo.

O medo de perder ou se perder,

O medo de seguir ou se ferir,

O medo de sonhar e se acabar,

A paixão não tem razão.

Pode andar sem pés no chão,

Pode cegar-te o entendimento

E aprofundar-te em sofrimento.

Segue assim calada,

Torturando o ego,

Sorrateira, surda e cega.

…de repente abalada,

Exaurida,

Achacada… um espectro,

De repente um nada.

O humor absoleto,

Os quereres em duetos

Os suores em sonetos,

Utopicamente, a rimar felicidades.

 

30 de dezembro de 2015

“…voar vale a pena, e a pena faz a queda, e cair pode doer mas a dor pode ser a mestra que lhe cura a cegueira…”

Do Poema “Voar Vale a Pena” – Alma Boaventura

https://alcioneboaventura.wordpress.com/2015/07/23/voar-vale-a-pena/

30 de dezembro de 2015

AMAR POR AMAR

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Amar por amar não satisfaz,

Quando em teus beijos, calor e brasa,

Já não se faz.

Quando em teu corpo,

Teu frio, meu sopro, enrija a paz.

Caminha a morte, forjada em prosa, pra nossos cais.

A lucidez das brigas torpes nos põe alerta,

Talhando os gritos na porta aflita, já entreaberta;

Não sei se devo, não sei se fico,

Lábios se apertam;

Sei o que quero e o que não quero

Mas não te acertas.

Amar por amar já foi meu lema,

Já foi poema, já não será.

Antes um pássaro vivo no chão

Do que dois mortos a voar.

Voltemos antes, como noutros beijos,

Como dois amantes à flambar,

Ou regaça a porta que a canção exorta e se deixe,

E me deixe

E nos deixe acabar.

23 de julho de 2015

Voar Vale a Pena

(Foto: Juliana Ramos)

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Se queres voar, há que tirar os pés do chão…

Deste chão de vaidade acimentado em seu caráter militante.

Beber um novo unguento,

Seguir por novos ventos

por onde espreita a culpa de seguir o ignorante.

Ser quem és pode ofender, sobremaneira,

A sociedade efêmera e traiçoeira,

Mas voar vale a pena,

E a pena faz a queda,

E cair pode doer,

Mas a dor pode ser a mestra que lhe cura a cegueira,

Este vulto no teu comodismo,

No teu egoismo,

Cair pode ser preciso

Para fazer-te vento no calcanhar.

Talvez assim te lembres das tuas raízes,

Talvez assim te livres.

Se queres voar, há que mudar as diretrizes

E desprender-te dos infelizes.

Deixar-te as penas,

as almas pequenas,

Soltar as algemas e apenas voar.

22 de julho de 2015

“Estou cansada, e pesa-me nos ombros o remorso de me permitir fazê-lo. Sou humana, mas não deveria sê-lo, mais fácil uma pedra no peito que um coração carniceiro.”

Do poema “Estou Cansada” – Alma Boaventura

Ler Poema Completo:

https://alcioneboaventura.wordpress.com/2014/10/25/estou-cansada/

22 de julho de 2015

“As diferenças externas são frutos da falsa percepção dos arrogantes, o que realmente nos distingue se escapa à vista.”

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18 de julho de 2015

Decadência

semvoce

Amar-te já não me basta,

Falta-me admirar-te por esta farsa,

Fingindo interessar-te por minhas cartas,

Teu jogo se embaralha em teus disfarces.

Teus reis acovardam e ferem à esta dama,

Como se dormissem há anos na mesma cama,

Teus olhos já não me caçam como à quem ama

Sapateias pra outras bandas e me difamas.

Amar-me já não te basta,

Não me comes com a boca doce das noites quentes,

Não te importas dos dizeres frios quando me mentes,

Me enlouqueces quando me repeles tão contundente.

Me candeia

Essa vela apagada na varanda,

Me chateia

Essa lágrima presa na garganta,

Eu tentando arrancar teus risos com uma alavanca,

Quebro os braços com a força que faço por amor.

Na cabana a tristeza nos fulga,

Com ofensas arrojadas perfura

O vazio que nos rouba a candura,

O silêncio é um grito de “_Basta! Acabou.”.

9 de março de 2015

De repente a gente deixa de se interessar por gente… É tanto riso sem vontade, papo sem interesse, olhares ameaçadores que a gente dá as costas com medo de a língua cruzá-las.

7 de janeiro de 2015

Teu Recado

silencio

Eu sinto desapontá-la,

Aponta-me o que faço tanto que te abala,

Não me dê o gosto da tua pouca fala

Porque me sinto louca

Quando tua voz se cala.

Exponho no meu jeito amargo

Medos insolentes do horror passado.

Talvez te cansas dos meus fados,

Talvez são meus os pés cansados.

Quem sabe o teu silêncio seja mesmo o teu recado.

28 de outubro de 2014

Dia Mau…

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Pelas horas raras de olhar tranquilo…

O céu turvo, a chuva, o vento, o infinito,

Adentra o peito o medo de me esvaziar.

Desde que ela me encheu o peito,

Já não sei se me caberia doutro jeito,

Num espaço que não fosse o seu.

Tenho um mau presságio,

Tenho um dia mau;

Um poema triste

E as costas livres para mais uma chibatada.

25 de outubro de 2014

Estou Cansada…

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Estou cansada

E pesa-me nos ombros o remorso de me permitir fazê-lo.

Sou humana, mas não deveria sê-lo,

Mais fácil uma pedra no peito

Que um coração carniceiro.

Assim não levaria no seio o fardo dos meus entes queridos,

Não me mataria ver à quem amo ferido,

Não me afogaria a dor do vínculo exaurido.

Assim não daria o gosto do mal estar ao estranho,

E nem teria estas rugas danando o cenho tacanho;

Não me importaria partir, errar, desistir…perda ou ganho.

Estou cansada da ânsia da busca constante,

De acordar entremeio sonhos pequenos e gigantes,

Tentando me convencer de que sou apenas um viajante.

Melhor recostar minhas penas na poltrona do descaso.

Quem dera olvidar-me os laços e pensar em mim;

E sorrir pra mim…

Bocejar,

Madornar

E dormir.

28 de agosto de 2014

Flor de Jasmim

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Oh, linda flor jasmim!

Amar-te-ei pela metade?

Como poderia?

Se tuas lianas atou-me num forte abraço,

Desejar-me em tuas sombras é o meu cansaço,

Me atrevo nos teus arbustos meus embaraços.

Eres completa!

Com o teu dom me acertas,

Me apertas,

Sinto saudades

De ter-te somente em mim,

Tal lealdade,

Perdeu-se quando te pôs noutro jardim.

Fostes sem mim,

E como posso amar-te em meias partes?

Se me queima , no âmago, um calafrio,

Excitando os ardores no sangue frio,

Cada vez que penso-te,

Vejo-te mais flor,

Amo-te mais,

Sem meios termos,

Sem meio-amor.

16 de agosto de 2014

A Obra Completa

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Eu quero comer os versos dos poetas romancistas,

De Carraro à Gatai,

De Clarice um pouco mais,

Pra falar-te coisas lindas.

Faltam linhas, faltam letras.

O que sinto, quem dirá?

Drummond fez um esboço,

Vinicius, a resenha,

A obra completa, que Deus a tenha,

esta no meu peito,

correndo na veia,

pulsando nos poros;

Esta neste beijo que sela o destino;

Você, meu amor, mudando o meu tino.

Do poema perfeito não há registro,

Nem Cecília com o seu grito;

Nem Camões em seus eruditos.

Qual poeta em seu agito não sofreu este conflito?

Descrever este sentimento tonto preso no peito:

A obra perfeita.

Ela pulsa, lateja, palpita…ansiosa,

Entre rimas e controvérsias,

Desejos ardentes de tênue semblante: sua face.

E dizer tanto pra quê?

Se o que sinto é tanto

Que, quando penso, disfarço um suspiro

Como quem geme sufocado,

E não me decido por palavras,

O amor fala por mim,

Eis no amor que sinto por ti: A obra completa.

(Dedicado à Daniela Mayer)

28 de maio de 2014

Oxalá!

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Oxalá me despertasse

destelhasse minhas certezas,

Descobrindo no meu íntimo, o vazio;

No coração quente, o arrepio;

Na simplicidade, a felicidade pertinente.

Oxalá!

Se meus olhos confusos contestassem;

Se meus planos confusos lucidassem;

E as perguntas, um tanto absurdas,

Se tornassem as próprias respostas para tantas incógnitas.

Oxalá!

Fosse este mundo uma viagem ilusória,

E eu descobrisse uma terra firme

De paz,

Sem mais,

Uma nova história.

Um lugar de glória.

Oxalá!

Piscar os olhos e renascer,

Abrir a alma e incandescer,

Fechar a mente e esquecer

Essa vida mal feita,

Essa carne imperfeita,

Essa gente desfeita

De língua cruel e carácter dantesco.

Oxalá me esqueça o que fica pra traz.

Que falta faz? Que bem me traz?

Que eu me lembre apenas o que me faz bem.

7 de março de 2014

Cançäo – Menina Bonita

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Ah! menina bonita,

Que passa na Avenida.

Samba no meio da roda

E o vestido roda,

Minha cabeça roda,

E o meu coração, fora de moda,

diz pra eu ter razão,

Você é coisa linda demais pra me olhar.

Eu näo posso,

Näo posso…

Mas quando vejo você sambar

Ah! menina, Ah! menina,

A sua saia gira,

Sua cintura fina,

A minha cabeça pira,

e o meu mundo fica de ponta cabeça.

Ah! menina bonita,

Que passa na Avenida,

Canta com o riso da graça,

E não há quem passa

Sem se encantar…

Os meus olhos te cantam,

E os meus lábios se aprontam

Querendo te beijar,

Só penso em te beijar,

Só penso em ti,

Näo posso.

Você é coisa linda demais pra me olhar.

3 de março de 2014

Cala-te

 silencia

Não me diga o que devo dizer.

O que digo é pra você entender

Que de tudo o que eu disse,

eu não digo

E não disse o que quero dizer.

O que penso esta no meu pensamento

E não pense que é o que você pensa.

Penso agora o que não pensei noutro momento,

E sei que pensas que säo teus meus sentimentos.

Falas como eu sei que falas.

Para todos os teus amigos falas,

E falas que falo eu!

Falas por mim o que não falo de ti.

E falas de mim o que dizem que falas?

Por que não te calas?

3 de março de 2014

A vida é absurd…

A vida é absurdamente sarcástica quanto te obriga a engolir o desprezo.

Alma Boaventura

3 de março de 2014

Penas…

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Me dá pena

recolher os restos do que já passou;

É coisa triste

quando o peito insiste em guardar rancor.

Me dá pena

ver o amor, de belo em feio, se transfornar

Sentir tanta mágoa,

que não há palavras para nominar.

A pena lacera

quando o fogo queima sua fotografia;

O nosso beijo sangra

Num momento, homérico, de nostalgia.

A dor trespassa

nas cartas rasgadas que me dedicastes;

Lembranças vastas

de tantas promessas que me suplicastes.

Me dá pena

tentar esquecer o que não se esquece;

Linda morena

de alma daninha que me mata e cresce.

20 de fevereiro de 2014

Salve o Brasil!

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 Puta que pariu

No colo a mãe gentil,

Cantando no Ipiranga

A graça do Brasil.

Pátria amada não se viu.

No penhor dessa igualdade

O desafio é conquistar a liberdade.

A violência dominou nossas cidades.

O amor não resistiu.

Qual penhor?

Tanto labor pra sustentar a malandragem.

Ordem por favor!

Porque o progresso foi sugado pela politicagem.

E diga-se de passagem:

“_Desafiam o nosso peito à própria morte.”

Vivemos de sorte,

Um tanto covardes,

Omissos dos direitos que nos cabe.

Puta que pariu

Num raio vívido que nos engoliu,

E pare todos os dias a sua carniça,

Atando os nosso sonhos às suas mordaças,

E cala a voz no peito que pede justiça,

Parindo a miséria do povo às margens plácidas.

À qual destes filhos és mãe gentil?

Tal gentileza não se viu.

Risonho?

Límpido?

Impávido?

Colosso?

Dissimulam uma realidade vil.

Deitado eternamente em berço esplêndido…

Debaixo da ponte,

Nas ruas, bueiros, no frio e na fome.

O lábaro ostenta a vida amarga no peito desmonte.

Filhos abandonados pela mãe arrogante.

Salve! Salve! oh pátria amada,

Baixe a clava e torna-te envergonhada.

Salve! salve a puta que lhe pariu,

Alce a flâmula de sangue, maculada,

E Diga ao verde-louro:

“_Devolva o nosso ouro e Salve o nosso Brasil.”

20 de fevereiro de 2014

“Pra ser perfei…

“Pra ser perfeito faltava apenas o essencial”

Alma Boaventura

19 de fevereiro de 2014

“Aos negros ato…

“Aos negros atos, a minha intolerância,

Não a estes de pele tingida por natureza,

Gente negra como a gente.

Mas a este monstro negro: a ignorância,

Que exalta o absurdo da sociedade, a discrepância,

Em divergência com os desígnios de Deus.”

Do Poema “Hipocrisia Mestiça”.

Ler Poema Completo:

https://alcioneboaventura.wordpress.com/2014/02/19/hipocrisia-mestica/

19 de fevereiro de 2014

Hipocrisia Mestiça

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Negros me incomodam,

Sim…

A negrura da alma encardida com a sujeira dessa gente descomedida

Encarnadas no juízo imputado pela sociedade nociva.

Obscuros becos nas sombras da má índole a qual se aderiu.

Penso que humanos tem uma propensão inata

Para enegrecer aonde passa,

Mesquinhos,

De uma arrogância devassa,

Cavam a própria desgraça ao rejeitar outra raça.

Estas negras teorias caprichosas

Que se embrenham nestas mentes preguiçosas

De seres, miseravelmente somíticos,

(e posso me lambuzar na redundância imperiosa)

Tentando fazer um estudo psicanalítico,

Nada vejo que justifique este recalque elítico

Desta cúpula rançosa.

Negros seres de negruras inomináveis,

Preconceitos abomináveis.

Racistas,

Fascistas,

Narcisistas…

Atitudes que determinam sua própria pequenez.

Aos negros atos, a minha intolerância,

Não a estes de pele tingida por natureza,

Gente negra como a gente.

Mas a este monstro negro: a ignorância,

Que exalta o absurdo da sociedade, a discrepância,

Em divergência com os desígnios de Deus.

Quem tem olhos para discernir a cor do bem e da justiça

Almeja a brancura,

Sofrendo a injúria,

E rejeita a negrura de uma hipocrisia mestiça.

19 de fevereiro de 2014

Amor

amor

Essa cor eu sei de cor,

É amor em dó maior,

E eu canto,

Me encanto.

No canto de um riso alheio

Me esteio num coração perdido

Unido ao meu.

Que é meu,

Que é seu,

Que é junto,

Unificado num verbo adjunto:

O Amor.

18 de fevereiro de 2014

Voe Coraçäo…

core

Vai coração,
voe bem alto,
longe dos meus braços,
longe do meu peito,
leve os meus defeitos,
deixe-me o direito de ser feliz.
Rasgue a minha pele
e toda a dor que expele
esta cicatriz.
Vai coração,
pegue os teus adornos,
sentimentos e transtornos,
deixe-me onde estou,
neste silêncio barulhento,
na chuva fria, medonho vento,
que ainda soprará por um tempo,
até que eu te esqueça de vez.

14 de fevereiro de 2014

“Quando a razäo disser “_Pare!”, näo a ignore, porque você vai se odiar quando descobrir que ela tinha razäo.”

13 de fevereiro de 2014

Anátema

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Eu quisera saber menos

De teorias, livros, poemas,

Sociologia, história, fonemas,

Religiöes, astronomia, sistema.

Eu quisera sofrer de amnésia traumática,

De ignorância estática,

De futilidade pragmática,

Ser, nada mais, que uma nobre pustema.

Quem sabe assim, me livraria da bizarra figura

Que penetra a sociedade sucumbida,

Com filosofias de conduta comedida,

Num intento de ser quista e engrandecida.

Eu quisera uma mente de menos conjecturas,

Não ser oposto,

Nem dar desgosto,

Gostar com menos bom gosto,

Ser apenas uma anátema trivial de mero posto.

13 de fevereiro de 2014

Espinhos…

rosas

Duas rosas se abraçam

Bailando no vento,

Por um momento

As belezas se encantam;

Se beijam,

Se enroscam,

Se arriscam.

Os talos tortos se espantam,

Se agitam.

A libido de cada pétala grita em tom de fado,

Se atiçam,

Se afloram no desejo do pecado.

É quando uma gota de sangue reclama,

Entre os carinhos,

Espinhos se inflamam;

Pétalas caem danando a brandura,

Secam-se as folhas

e perde-se a candura.

Rosas säo lindas quando näo se encontram.

12 de fevereiro de 2014

Eu não sou otár…

Eu não sou otário,
Sou hilário propositalmente,
E me faço tão convincente
Que não convenço mais
Ao mostrar seriedade.

Alma Boaventura

12 de fevereiro de 2014

O vício acabou…

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Planejo,

Maquino,

Malino na mente,

E sai de repente

Um verso eloquente

Guiando o meu tino.

Planejo,

Oscilo,

E bato na testa,

O medo contesta

Comutando o destino.

Planejo,

Bocejo,

Tentando refutar,

Mais preguiça me dá

Sonhar e sonhar

Sem sair do lugar,

Vou ficando onde estou

Achegada ao que penso,

Debruçada no sentimento

Que me cativou.

Planejo,

Resisto,

Desisto,

O meu vício acabou

Tétrico,

Danoso,

Nefasto,

Como todo vício.

7 de fevereiro de 2014

“Aprendi amar, amar somente… Sem regras, pouca sorte e algum azar.”

Do Poema “Jogo do amor”

Ler Poema Completo:

https://alcioneboaventura.wordpress.com/2010/08/16/jogo-do-amor/

6 de fevereiro de 2014

Intrigas

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Cravei o dedo na língua solta,

Na prosa,

No medo,

No enredo dúbio que me enlouca.

Bem cedo invento intriga

Inoportuna,

Agre fortuna perco por fadiga.

Cravei a língua no peito seco,

Baldo,

Triste,

Intrínseco,

Conselhos íntimos da carência que insiste.

Esta ácida matéria que flui,

Félida e veloz,

Por veias, artérias, estradas,

Minha sombra maquinada num intento atroz

Me crava o dedo na alma,

Estanca o fel e desalma,

Me desarma

A cruel decisäo de partir.

 

31 de janeiro de 2014

Alma Boaventura

“Eu terei para dar-te
tudo quanto tu terás para dar-me a mim,
e para amar-te
tanto amor quanto amor me tens
para amar-me enfim…
Sonharei contigo, tanto quanto,
sonharás comigo
Sê raso, profundo ou infinito.
Donde fores, irei;
Do que me dares, lhe darei,
E só verei tua íris quando abrires os olhos
para ver-me profundamente,
E tocarei-te a alma
quando a tua alma vier ao meu encontro voluntariamente.”

24 de janeiro de 2014

Desapreço

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Não diga que me quer,

Qual coração louco se arrebataria por trapos de mulher?

Eu mesma, dona de mim, não me quereria.

Qual mente sã escolheria tal affair?

Não me desperte o desejo

De olhar- me com apreço,

Se o meu pavor, ao me descompor,

Baixou-me o preço.

Não teime em dizer que sou,

Não sou, eu sei.

Me vejo de perto, degradada;

De dentro eu me olho, assombrada.

Não pague o que não valho.

Sou ruínas de um canto ordinário

Que perturba o sono do velho canário.

Eu sou, eu sei.

E dizes que posso,

Quando não posso,

Me desosso,

E meus fósseis são compostos de uma confusão evidente.

Não me convença,

Não me convenço,

E se me convences?

Me amaria, certamente, como amei um dia.

Ao ver nos teus olhos o meu sorriso amofinado,

A minha cor, a minha mente, o meu pecado,

Esvai-se os meus motivos

De olhar-me doutro jeito.

Vejo bem.

Não te mereço!

Eu não, eu sei.

17 de janeiro de 2014

Encurralados

Encurralados

17 de janeiro de 2014

“Há dias em que todas as tristezas da minha vida resolvem se encontrar na minha alma e humilhar as minhas forças ao reforçar minhas fraquezas. Mas as lágrimas que testificam a minha dor também batizam a minha fé em dias melhores.”

Alma boaventura

16 de janeiro de 2014

“SER Humano é uma dádiva que não alcança qualquer “ser humano”.”

Alma Boaventura

14 de janeiro de 2014

““Cherchez la femme”! À sombra dos meus afetos sempre haverá uma.”

Do Poema “Filoginia”

Ler Poema Completo:

https://alcioneboaventura.wordpress.com/2013/08/21/filoginia/

13 de janeiro de 2014

Malvadez

pederastia

Um corpo apenas…

A alma fugiu,

O sangue parou,

A mente dormiu,

 Cachorro rosnou.

Um corpo apenas…

E muitas penas inflamadas

Na sombra franzina,

A calça arreada

Abrasa a frescura da matina.

O bafo do ogro é morte

E sopra o hálito cru

Do ato cruel que sucedeu ao corpo seu,

Menina moça,

Que dó que dá

Que deu no que deu.

Mórbida criança frisa,

Pinta, então, o céu de cinza

Da cor do peito minguado,

Num bicho débill e domado,

O grito do mal presságio.

Um macho, de escrúpulo deturpado, bebe a tez

Numa lambida ignóbil,

Não lhe intimida a pequenez.

E bebe, e come, e cospe;

E sangra, e rosna, e morde

A pele rija inóspita,

Usurpada baixo a sua embriaguez.

Um corpo, apenas, um corpo

E o dano selado no rosto,

E na alma do ventre o desgosto

Da infância falecida por tamanha malvadez.

9 de janeiro de 2014

“Quando pensei estar nadando contra a maré, percebi que estava nadando ao meu encontro.”

Alcione Boaventura

9 de janeiro de 2014

Amor de Ontem

MULHER NEGRO (6)  -  20.08.08

Amor de ontem,

Que já não ata, nem se atraca,

Que se abstrata no vão do nó.

Simbora no verso triste,

O peito que lhe cabe é um só.

Teus sentimentos violados na garganta,

Expulsam o amor de outrora exuberante,

E da boca, a louca brasa, exalta a decisão que se difama,

A mesa farta conforta o ventre protuberante do pesar

E se sobeja num beijo agreste,

Desagradável ao paladar.

Num efeito degradante o amor esvai-se,

Divide-se,

Dissolve-se,

Desfigurado num sentimento cambiante.

De tanto queimar é cinza que o vento, um oportunista,

Leva para um novo acaso,

Sopra como uma brisa, um tanto livre e incontido,

Com os restos dos meus carinhos que lhe é intrometido;

Consome-se em notas suspensas de uma canção

Que foi, um dia, motivo da nossa dança

Quando o amor, ainda se excitava entre dois peitos.

Amor de ontem,

Que já não ata, nem se atraca,

Que se abstrata no vão do nó;

Divide-se,

Dissolve-se

E cabe triste num peito só.

8 de janeiro de 2014

“Sou apenas a sombra do que se diz satisfatório, não sou razão nem certeza, e o que sou é provisório…”

Do Poema “Autor Fracassado”

Ler Poema Completo:

https://alcioneboaventura.wordpress.com/2010/08/15/autor-fracassado/

7 de janeiro de 2014

seca

No sertão da alma humana

Sangra a seca, a guerra espanta

o pouco de amor que insiste no berço triste da soberba.

Agoniza a sorte neste solo infértil…

o coração dos homens,

Onde o bem é rosa rara perdida no capim.

Insolente fenda se abre no peito pra tragar a graça de ser do bem e do amor.

3 de janeiro de 2014

“Muchos se hunden en sus sueños… unos luchando, otros en la inercia del comodismo. La diferencia? és que, los que luchan mueren con el orgullo del intento.”

Alcione Boaventura

3 de janeiro de 2014

Adeus Ano Velho

ano novo

Adeus ano velho…
Velamos tua morte,
Que saia das tuas cinzas, para nós, boa sorte.
Para o ano que chega,
Abrimos as portas,
Limpamos a alma,
Sonhar nos conforta.
Adeus ano inteiro
de risos e prantos,
Uma página escrita
que não se apaga
e nem se espanta.
Vai ficar a história para ser refletida,
Numa nova história que será permitida,
como consequência do que plantamos na vida.
Adeus ano velho…
Feliz o que chega,
Que venha com paz, com graça e beleza;
Que faça justiça onde o velho falhou;
Que o bem permaneça
onde o mal encarnou.
Feliz novo ano!
e feliz para quem?
Feliz para quem busca,
para quem luta
e planta a semente do bem.
Feliz para quem vive à luz da solidariedade,
sem preconceitos ou rancores,
Sem maldade…
Liberdade…
Quem, já muito sofreu, sabe a benção da felicidade”

3 de janeiro de 2014

“Hoje os meus olhos querem notas e canções, a minha alma quer novas paixões, os meus ouvidos pedem mimos para adoçar a poesia que sai da alma.”

Alcione Boaventura

2 de janeiro de 2014

Eu queria um Abraço…

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Eu moro neste quarto escuro

De muros tão altos que a luz não me toca,

 A luz me provoca quando se mostra numa fresta da mente insana,

Pobre demente que sou,

Cuspindo arrogância pra me defender.

Mas eu queria mesmo era um abraço.

Ah! um abraço e meus braços se quebrariam,

Deixando cair a faca para cegar a lima,

Quem sabe um riso na face,

Depois de tatuar a amargura na rima;

Quem sabe a ternura

depois da loucura me habitar a alma aloprada.

Depois da cara no chão,

Quem sabe um nova paixão.

Ah! Eu queria um abraço,

Feito um atalho que é desvio pra quem anda triste,

Um arreio pra quem foge do ateio de todo mal que existe;

Feito um bicho que foge do fogo

Pra se acalentar no seio materno.

Mas meu quarto é escuro,

Não tem fogo, nem seio, nem luz e nem braços,

Não tem abraços para me libertar,

Não tem alegrias,

mas tem o mormaço

E tem gente fria pra me incomodar.

Minha morada é sombra escondida,

Não tem hora certa para me torturar,

Eu sou bicho arisco, pareço um cangaço,

Eu quero um abraço para aliviar.

Meu quarto é escuro,

A luz não me toca,

A luz me provoca.

Mas eu queria mesmo era um abraço.

26 de dezembro de 2013

“Não é tristeza o que me invade, e tampouco alegria… é uma ausência de mim mesma.”

Do Poema “Ausência” – Alcione Boaventura

Ler Poema Completo:

https://alcioneboaventura.wordpress.com/2010/08/15/16/

19 de dezembro de 2013

Convite Pra Você Entrar. (+18)

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Abra as minha pernas e peça para entrar,

Eu juro, eu vou deixar.

A casa é sua, meu bem.

A casa, o peito, o rosto,

As curvas do meu pescoço,

Os cabelos e o pelo grosso

Na púbis que lhe diz _Vem!

Abra as minha pernas e vem!

Eu juro, vou esperar.

A rua é sua.

A rua, as pernas e as coxas,

Os braços e a bunda introsca,

Os dedos na língua roxa,

As mãos que vão te tocar.

O meu colo é o teu regaço,

A minha boca na tua, um laço,

Abra a porta e rompe-lhe o cabaço

No meio das pernas,

No meio da rua,

Na cerne da alma,

Entranhas tão suas.

Deite-se no meu espaço;

Este espaço entre os seios e o ventre,

Aconchegante sala de estar.

Caminhe pelo meu íntimo,

Se enrosque na minha cama,

Faça valer-me a fama,

Proclama pra gente gozar.

Abra as minhas portas e entre,

Eu juro, vou te esperar,

O corpo é seu, meu bem.

O corpo, o beijo, a nuca e o pandeiro,

As unhas, o busto, o sulco até o grelo,

Na grama verde, me suga e irrompe o cheiro

No meio das pernas,

No rumo da porta,

No meio da rua,

Convite pra você entrar.

18 de dezembro de 2013

Solidão

pensando

A solidão que sinto

tem uma lonjura que não me cabe.

Se eu rio, minto,

E eu fria, sou de um mal que ainda não se sabe.

Se eu choro, sangro.

Misantropo,

Me espalho na terra seca que desprezo.

Eu tenho em mim a solidão

Da folha solta que o vento sopra para o alto,

Leve, de caminho incerto,

e um tombo certo lhe espreita a queda.

Eu tenho em mim todos os horrores

da lua cheia e seus temores

que assiste o homem e seus amores

na nostalgia empírica que lhe acorrenta.

Fico marrenta,

Fico sozinha,

Não que me falte companhia,

Mas falta quem faz falta

Na minha sina de querer

Quem já tem cama e peito pra sonhar,

Quem já tem boca e pernas pra cruzar,

E eu?

A ver navios com a solidão.

17 de dezembro de 2013

“Traga a paz qu…

“Traga a paz que esta vida não me deu!

Traga as rosas que os espinhos levo eu;

Levo a dor e a amargura de viver.”

Do Poema “Em busca da Morte” – Alcione Boaventura

Ler Poema Completo:

https://alcioneboaventura.wordpress.com/2010/11/03/em-busca-da-morte/

 

17 de dezembro de 2013

AlmAmante

AMANTES002

AlmAmante,

Amor-Infamante,

Malogrado!

AmAmenos,

Amores-Amenos,

Maro o Meno

Deflagrado!

Amor-demais

Amarga-mais

Amor-de-cais

Efêmero!

Alma-breve,

Amor-não-deve,

Amor-não-cresce,

Pequeno.

AlmAudaz,

Amante-fulgaz,

Amor-sem-paz,

Energúmeno!

AlmAmante,

Amor-Distante,

EstranhAmante,

Perfeitamente-Imperfeito.

13 de dezembro de 2013

“…No corpo frágil, o opróbrio a mostra; na alma, o medo, cúmplice da impunidade.”

Do Poema  LOBO MAU – Alcione Boaventura

Ler Poema Completo:

https://alcioneboaventura.wordpress.com/2010/08/18/lobo-mal/

12 de dezembro de 2013

“Quando pensei…

“Quando pensei em beijar a sua boca,
meu coração virou agito
E todos os poros responderam com um
grito de perigo.
Eu entendi o recado…
Melhor calar os pensamentos.”

Alcione Boventura

11 de dezembro de 2013

“São raríssimas as pessoas que se dedicam a ler o outro com a intenção de amá-lo.”

venda

Alcione Boaventura

11 de dezembro de 2013

“…Odeio ser anfíbio marcada de nascença, filha pródiga, a doença rejeitada do seu ninho. À elas não pertenço, _víboras tinhosas.”

Do Poema Víboras Tinhosas – Alcione Boaventura

11 de dezembro de 2013

Víboras Tinhosas

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Sou tão detestável quanto tudo aquilo que detesto nelas.

Odeio ser vestígios dos desafetos que me repelem.

Vou digerindo o veneno enquanto escorre no canto da boca,

Sou presa dando sopa pra víboras tinhosas,

Cobras venenosas!

Sou destas peles mortas repelidas sem afeto,

Partes delas que se esquecem

Preteridas no caminho.

Odeio ser anfíbio marcada de nascença,

Filha pródiga, a doença

Rejeitada do seu ninho.

À elas não pertenço,

Víboras tinhosas.

Eu que já fui tão melindrosa, sou casca grossa,

Não me reconheço.

Já vivi dias amenos.

Talvez seja o veneno delas,

Talvez eu seja o veneno.

10 de dezembro de 2013

“O meu vício é essa sua mania de recitar poesias ao me descrever.”

9 de dezembro de 2013

Iguais

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Quem são estes homens que me comem com olhos canibais?

Sou mulher sensível,

Meu corpo ostensível não pede os teus cais.

Quem são estes cães que me mordem com mentes bacanais?

Sou mulher contrita de traumas anormais.

Eu não quero homens, nem cães, nem caos, nem paus.

Eles são boçais,

O que eu quero é mais.

Eu quero mãos macias que não me unhem mais;

Eu quero colo e língua, e cama,

e a dama que me impele;

Infâmias com  minha própria pele.

Quero entrar pelo meu íntimo aconchego

e gozar só pra matar a minha sede.

Eu não quero homens, nem cães, nem caos, nem paus.

Eles são boçais,

o que eu quero é mais.

Eu quero a brisa fresca nos seios que me fazem esquecer as tempestades.

Eu quero a voz suave na carne quente

com poros latentes, pulsando os iguais.

Que não sejam homens, nem cães, nem caos, nem paus.

Eles são boçais,

o que eu quero é mais.

9 de dezembro de 2013

“…Talvez eu vá para um mundo que me pertença, talvez exista uma crença que justifique este erro: minha existência… pois desejo morrer desde então.”

do poema Espectro – Alcione Boaventura

9 de dezembro de 2013

Vai Passar…

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Vai passar…

Depois que morre passa,

E, se não passa, mata.

Depois que fere, cura,

E, se não cura, vira praga,

Dessas que pegam em quem passa.

 Longe ou perto,

Vai passar…

Se não passar vou me atirar do 10º andar,

E vou cair de joelhos no altar,

Pra ver se passa.

Eu vou na fé,

Eu vou a pé,

Eu vou pagar,

Pagar até ficar pobre,

E pobre eu já sou,

Mas vai passar,

E se não passar,

Pra mim acabou.”

6 de dezembro de 2013

Estou de Luto!

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Estou de Luto!

Meus amigos estarão preocupados por mim.

“_Quem morreu?”, dirão,

E estou tão cheia de respostas

Que me faltarão palavras

Para justificar o meu desespero.

Tantas mortes me cercam

Que mal posso respirar.

Estou de Luto!

Velo a humanidade dos seres humanos,

pouco humanos, que habitam a terra

e descumprem a ordem divina do amor.

Estou de Luto!

Morreu a solidariedade,

Morreu  a benevolência,

Morreu a dignidade;

 E todos os dias morre algo mais

De um pedacinho de tudo que dá paz.

Estou de Luto

Com a indignação,

Com a vergonha de pertencer à um planeta

tão, miseravelmente, enrustido em suas mesquinharias egoístas.

A morte veio levar todos os nossos princípios morais.

Temo morrer de luto sem luta,

Morrer de guerra sem ver a justiça feita,

Sem ver minha gente aceita,

Sem ver as raças iguais e o respeito aos animais.

Eu temo morrer velando,

e vou morrendo,

Teimando em não me juntar à eles.

prefiro morrer sozinha, com desejos imensos

de salvar o pouco que resta em você

que, ainda, esta vivo.

Um pedacinho de amor, por favor,

porque estou de Luto.

4 de dezembro de 2013

Espectro

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Já não pertenço a nenhum lugar.

Não sou daqui, nem de acolá,

Por onde vim não vou voltar.

Sonho em ser eu,

Não sei me ser,

Saber quem sou,

Não sei saber.

Fui semeando os meus passos entre os povos,

Fui me deixando em ruas que morei,

Fui me perdendo conforme ia me doando,

Não me vi despedaçando

Nas esquinas que dobrei.

Sou espectro!

Os meus fantasmas me assombram com pavor,

O meu espelho me reflete um perdedor,

Não sou daqui,

E nem do ódio e nem do amor.

Sou do vazio, sou o plágio, a objeção.

Eu sou vagante desde memórias milenares,

Sou itinerante,

De pouco nascida, de muito vivida,

Mas sempre errante entre tantos altares.

Talvez eu vá para um mundo que me pertença,

Talvez exista uma crença que justifique este erro:

Minha existência,

Pois desejo morrer desde então.

Talvez eu ainda queira,

Talvez eu ainda viva, quem sabe, uma vida inteira.

Quem sabe me há pouca vida.

Talvez eu ainda suma,

Ou ainda assuma meus erros para ser perdoada;

Talvez seja tudo lenda,

E não há futuro,

E não há passado.

E, se a vida for um jogo passageiro,

Talvez eu me arrependa de não me ter extravasado.

4 de dezembro de 2013

Imperdoável

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Não te perdoo por roubar-me a ilusão no amor.

Me possuístes no impulso egoísta

De uma criança que ganha um brinquedo

E o rasga,

O gasta,

O desfruta, abusivamente, até que perca a graça;

Até que seja os restos de um sonhador.

E quando já não lhe serve,

É despejado naquela velha caixa de aventuras passadas

Que ficará esquecida até o dia da benevolência.

Não te perdoo por usar-me como usastes teus sapatos novos

Que se definham nos teus pés,

Fizestes de mim uma parte móvel da escada

Que te serve para ascender vividamente,

Numa experiência que pode lhe tornar alguém melhor,

Ou ao revés.

Porque não me disseste que eu seria o seu brinquedo?

Por que não me disseste que eu seria uma eventualidade?

Ao menos, me desse a opção de ser, ou não,

A sua cobaia neste seu processo de evolução e santidade.

Não te perdoo!

Não me perdoo!

Eu vi a porta aberta e fiquei,

A minha alma se deixou ser laçada,

A minha razão eu mesma calei,

Os meus pés se apegaram às tuas pegadas.

Eu lhe doei meu coração,

Mas o colocastes em seus aposentos de troféus empoeirados.

28 de novembro de 2013

“É sempre difícil sair desta zona de conforto turbulenta, porém, calidamente conhecida, chamada alma. Sair é se expor, estar nu em terra de estranhos.”

Alcione Boaventura

27 de novembro de 2013

“Eu prefiro esta realidade, de garras felinas mas de essência, genuinamente, benigna.”

Do Poema Entre Utopias e Verdades – Alcione Boaventura

27 de novembro de 2013

Entre Utopias e Verdades

Poema-Triste

Eu prefiro a solidão,

Ela não mente, não engana,  não trai;

Ela se mostra, desengraçada,

Enrustida na ausência que me devora quando a alma está em silêncio.

Eu prefiro a saudade,

Tepidamente nua,

Que me ensina, dolorosamente,

o valor do que se foi, tantas vezes, sem o reconhecimento devido.

Eu prefiro a verdade,

Fatídica,

Por vezes atroz, e até mesmo agressiva;

Com ela posso travar uma guerra justa,

Sem a demagogia dos falsos,

Sem o perigo dos mentirosos,

Longe da alienação das utopias que me lançam ao abismo.

Eu prefiro esta realidade,

de garras felinas

mas de essência, genuinamente, benigna.

26 de novembro de 2013

A Prostituta

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_Veja rapariga!

Tua alma abatida,

Tua face sofrida

que a graça deixou.

Tropeçou na barra da impunidade,

Na bala perdida da desigualdade,

Foi sonhar com príncipe e o sapo coaxou.

Lacerou-se o ventre pra pegar carona,

Fugindo da zona que lhe sustentou.

Um filho pequeno e outro na barriga,

Veja rapariga,

O teu bacanal zombou,

Nestas fendas fundas,

Tua face sofrida,

Cinturinha fina que desperdiçou.

Hoje num barraco no alto do morro,

Dorme num buraco que, cábula, cavou.

Confiou na sorte do trabalho torto,

Renegou a fé pra vender o corpo,

Vomitou desgraça vestindo tão pouco,

E colhe a carcaça que a vida deixou.

25 de novembro de 2013

“…Só não me deixe ser desta cúpula de belas máscaras e pouca candura. Sendo assim, me deixe ser eu, pobre assim, mas de boa-fé e ventura.”

Do poema  Boa-fé e Ventura – Alcione Boaventura
25 de novembro de 2013

Boa-fé e Ventura

injustiça

Eu tenho medo de me tornar uma pessoa normal,

Ser como estes que fazem o mal

De forma tão natural.

Ainda trago no ventre a fome

De ver justiça feita entre os homens,

Na veia, o sangue quente e o desejo ardente,

De ser semente do bem.

Eu tenho medo de ser o beijo do traidor

Que se corrompe,

Troca o amigo por meia dúzia de ferro fundido

Que amor não compra.

Ser como estes torturadores de animais indefesos,

Que acham graça na ponta da faca

E prova que a raça humana é desprezo.

Eu tenho medo de me perder no abismo da luta

Pela sobrevivência;

Seguir os mesmo passos suicidas

Numa guerra que responde à violência.

Medo de ser normal

como estes pombos com alma de rapina,

Que usam gravatas de nobres

Mantendo mentecapta mente assassina.

Eu tenho medo do golpe que pode ser

Descobrir que a vida é só isso,

_Não pode ser!

É preciso passar no fogo pra queimar o ego,

E ainda, mudar o jogo deste regime cego.

É preciso mais vidas para transmutar-nos em humanidade,

E deixar imperar o dom do amor benigno e da generosidade.

Só não me deixe ser desta cúpula

De belas máscaras e pouca candura.

Sendo assim, me deixe ser eu, pobre assim,

Mas de boa-fé e ventura.

21 de novembro de 2013

“Não diga “não” sem pensar, nem se precipite no “sim”…deixe um suspiro no ar que o tempo se encarrega da resposta.”

19 de novembro de 2013

“Quero viver paixão divina sem a tal cegueira, Quero ternura de Cecília com tesura de aroeira.”

Trecho do poema “Meio Tom”  – Alcione Boaventura

19 de novembro de 2013

Meio Tom

Felicidade (1)

Quero ser compreendida em meias palavras,

Ser vista por inteiro duma fresta d´alma,

Quero ser completa, mesmo com tantas faltas,

E andar descalça sem me machucar.

Quero ser a sinfonia de um meio tom,

Ser completa no espírito, ainda que me falhe o dom;

Quero viver paixão divina sem a tal cegueira,

Quero ternura de Cecília com tesura de aroeira.

Quero abraçar o mundo

Num giro só,

Num segundo,

Vivendo à pão de ló sem parecer vagabundo,

Sem me tornar nego só.

Quero falar o que penso sem ser ofensivo,

Fazer o que quero e não ser mal falado,

Assumir o que sou e ser recebido,

Como o cara do bem que eu fui no passado.

Quero nadar contra a maré e não morrer no mar,

Dormir depois da guerra e ver a dor passar,

Cantando no silêncio sem desafinar;

Quero esperar sentado na areia e ver meu sol chegar.

Sendo vítima, quero ser crime perfeito,

Quero vícios sem danos e sem preconceito,

Quero acertar no incerto com habilidade,

Com rimas de sorte,

Com versos de morte,

Quero ser poemas de felicidade.

18 de novembro de 2013

Pode alguém dar o que não tem???

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Antes, encher-me do meu próprio amor por mim,

Redundante assim,

Amar-me com exagero

E, logo, amar-te;

Estar plena, e tanto, de paz

Que ela transborda, desarmando os tumultos da alma,

Mais leve, mais brisa, mais calma;

Sentir a alegria além das circunstâncias,

De forma que, cada sorriso meu, reflita um sorriso teu,

E desate o cenho do irritante empenho

Que todos têm para ofender-me;

Porque, pode alguém dar o que não tem???

Importa assim, dar valor ao que tem valor,

Retirando o coração da tempestade que oscila,

Depositando-o na brisa calma e silenciosa

Que nos permite ouvir o eco dos nossos passos,

Podendo, então, guiá-los com a ciência, de que,

Felicidade é um estado de “estar espiritualmente”

Que independe de fatores externos.

8 de novembro de 2013

“…Eu que sou desdenho, que sou covarde. Mulher de faces que sonha, que sonha apenas, enquanto elas se mostram.”

do Poema “EU QUE SOU ELAS” – Alcione Boaventura

7 de novembro de 2013

AGRIDOCE – Música

morango

Não me empate que eu quero passar

Pro lado de lá,

Pro lado de lá.

Não me empate que eu quero ficar

Do lado de cá

Onde vc está.

Não me coma que eu tô azeda

E vou dar indigestão neste seu coração,

Mas me lambe que o mel é doce

E eu sou brava,

Sou agridoce,

Sou Ave doce,

Suave e doce,

Mas hoje eu tô azeda.

7 de novembro de 2013

IMPASSE

dividida esta

No impasse

A corda é bamba,

O rock é samba,

Comédia é drama

E eu sou o gole que atormenta a tempestade.

Vou bebendo desta agonia

De não ser noite e não ser dia,

De ser tristezas e alegrias

E me perco nesta bigamia de personalidades.

Eu sou o impasse!

A divisa de duas bandas que não se encaixam,

Bambeando vou soletrando: INDECISÃO.

Vivendo de desejos

Que morrem nesta linha fina que me divide.

5 de novembro de 2013

“Ya he llorado todo el mar que llevaba dentro. Ahora me río del escenario en llamas donde yo me quemo desde que me fue la vida.”

A.Boaventura

4 de novembro de 2013

…Amor não se Come com os Olhos…

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Seja cego para amar!

Amor não se come com os olhos;

É sensação,

Desejo que se vê de olhos fechados;

É metabolismo que não enxerga cor, nem raça, nem sexo.

Seja cego, mas veja bem onde pisa,

Veja bem quem te come com olhos de serpente cobiçosa,

Seja cautelosa!

Veja bem quem merece teu afago, teu apego.

Guarde o teu desprezo

Pra quem tem ouro e prata,

Pra quem tem luxo e corpo, mais nada.

Seja cego, mas veja bem.

O amor se esconde embaixo de peles mortas,

Corruptíveis;

O amor se esconde atrás de pessoas normais

Que lutam, como qualquer indivíduo, por coisas banais;

Que sonham, como qualquer coração que se vê de dentro pra fora.

Seja cego, mas não surdo.

O coração dirá se o acaso é um caso passageiro,

Seja cego, mas não louco.

A razão dirá se a paixão vale o risco.

E se ela disser que não,

Não teime, não erre,

Não tropece na ambição dos olhos,

Isto pode lhe custar o fôlego do que dá sentido pra vida…

O Amor.

31 de outubro de 2013

“…Seus enganos são pretextos populares. Eu me velo pra não ver tu me velares.”

Trecho do Poema “Seus Enganos” – Alcione Boaventura

28 de outubro de 2013

Viver por Viver

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Não vês que fujo de pensar e viver?

Fujo de amigos, de tumultos e bares,

Prefiro o perigo de não ousar mais azares;

Fujo de frias, de companhias e sonhos;

De assistir no meu riso estes gestos enfadonhos.

Me sinto uma velha peça de armário empoeirado,

Um velho quadro riscado,

Um livro rasgado pelo uso indevido.

Vetusto de essência,

Triste de nascença,

Inútil de natureza.

Eu fujo de ser e viver!

De estar onde estou,

De ser quem eu sou;

E quanto mais longe de mim,

Mais triste penar me cerca,

Mais torta, mais surda e cega,

Mais detestável de ser e viver.

Eu fujo de mim,

e fujo de ir sem ficar prá me ser,

e fico sem mim, e fico sem fim,

e ando sem sorte, morrendo sem morte.

Olha bem onde cheguei!

Olha bem quem me tornei!

Olha bem onde caí com as asas quebradas,

Com a cara humilhada, com a alma penada,

Olha bem!

Eu fujo de ser e viver,

Porque ser quem sou não agrada,

Estar onde estou é sem graça,

Viver por viver é desgraça.

25 de outubro de 2013

“Até um mendigo ganha pão de um estranho, mas amor sincero não vem de qualquer mão.”

A.Boaventura

24 de outubro de 2013

A.Boaventura

megulho submergir

“Cada vez que mergulho,

 me inundo, me afundo, me arraso.

Melhor emergir enquanto é raso.”

24 de outubro de 2013

“…Estou ausente para me proteger do presente que se foi e, oxalá! _Vá de vez! Nu como veio, morra no seio de outro infeliz.”

trecho do Poema Desgosto – Alma Boaventura

23 de outubro de 2013

Desgosto

1

Não me procure! estou doente

de mágoas, de medo, de raiva;

De tempestades e sonhos

que caem no espaço roto

Dos nós mal ajeitados que laçam o meu pescoço

E ferem a minha fé,

a minha alma, a minha calma,

e o meu bom senso.

Hoje estou ausente,

Ocupado,

Doente;

Um mentecapto ambulante,

Alienado,

Itinerante.

Um qualquer destes quaisquer dementes.

Desgosto de ser eu,

Me tragar,

Me comer,

Me engolir;

Casar comigo sem ter me aceitado.

Me sinto violentada

Por este “serzinho” medíocre que vi crescer

E vi entrar sem ser convidado.

Não me procure! estou doente,

De estar aqui,

De não estar,

De querer estar onde estive e não estive quando pude estar,

O refazer me parece tardio

E o tempo corre mais que a sorte e o fio da espada que castiga.

Estou ausente para me proteger do presente que se foi

E, oxalá! Vá de vez,

Nu como veio

Morra no seio de outro infeliz.

23 de outubro de 2013

Me Desvirar

core

Eu preciso de mais vida,

Eu preciso de mais sorte,

Eu preciso de batidas mais fortes no meu coração;

E se já não sou bem vinda,

Eu preciso ser partida,

Eu preciso  virar morte, virar vida, virar sorte

E me desvirar sem culpas.

29 de setembro de 2013

TELEPATIA…

ESTA

Se o som do riso na alma é aprazível,

Se a euforia de todos os sentidos retrucam o desejo de amar;

Se num pensamento confirmo tua existência ao rir contigo, ainda ausente,

Mas, certamente, presente onde se deve estar;

Se a solidão se perde na sensação que tenho de ter-te

Mais perto do que todas as peles,

Mais certa do que o sol flamejante,

Mais cálida do que o meu colo palpitante quando te vejo apalpando os meus pensamentos.

Entre tantos fatos distintos,

Questiono o proceder do que sinto sem depender do toque consumado.

Chegastes mais perto do que outros corpos;

Tocastes o âmago da minha sorte;

Pusestes vida donde, antes, era morte.

Donzela do Graal, me dás alegria!

Importa encontrar-me contigo neste estado exaltado,

Inflamar o teu corpo com o meu

Num evento divino e cotidiano

Que ambiciono no meu juízo apressado.

O perigo é abrasar-me nesta nossa regalia

E não querer outra vida sem o teu espaço;

É afundar-me no vício fácil que deves ser,

Que penso ser tudo em você:

o teu beijo, o teu toque, o teu regaço, o teu abraço;

O alento excelso que excita os sentidos quando te vejo apalpando os meus pensamentos.

27 de setembro de 2013

POSSO TE BUSCAR?

DISTANCIA1

Eu te encontrei do outro lado do mundo.

É longe, eu sei,

Mas agora sei onde você está,

Difícil foi te encontrar, meu bem;

Posso te buscar?

 

Eu sei onde você esta

E não vou te perder de vista.

É meu risco, um jogo,

e você? se arrisca?

Então abra a janela e me espera.

Se você não gostar de mim

Finja por um dia apenas,

Mas seja cordial;

 

Ma se gostar de mim,

Me beija, me abraça, me sufoca

Porque vou desmaiar de desejo.

 

Eu te encontrei do outro lado do mundo,

Tem muita gente entre nossos passos,

Tem muitos passos entre nossos beijos,

Mas, agora, sei onde você está,

Posso te buscar? 

24 de setembro de 2013

-INTOLERANCIA-

rosa sim

Seus sinais são de claro desgosto;

Seu silêncio grita a sua intolerância;

Minha paciência insiste na evidente incompatibilidade.

Não sei porque vou,

Nem sabes tu porque vens.

Intrigante é este teu jeito áspero de coração gigante.

Não poder compreender-te é surpreendente

Porque me confundes com uma cautelosa sintonia,

E me ofereço, fácil e voluntariamente,

Mas não vou me culpar

Por esta rude alergia que tens às rosas que lhe dou.

17 de setembro de 2013

…POSSÍVEL DESASTRE…

coração

Deixa-me ficar,

Deixa-te estar onde esta.

O seu coração não está disponível.

Não te enganes, não me engane,

Não te culpo nem me ateio,

Preocupa-me o nosso enleio.

E se me perco em teu espaço ocupado?

E se te perdes no empenho vão de desatar os nós?

E se os nós que te arraigam me apeiam

Quando ainda claudico sangrada por outros nós?

 

Deixa-te ficar,

Deixa-me estar onde estou.

Eu busco o leito livre,

mas esse teu jeito de dedicá-la me inibe a ousadia.

Pensar-te me assombra, me alegra

Me inquieta a insegurança desconhecida.

Será um encanto esse querer-te por magia?

mas suas palavras me despertam para um possível desastre.

13 de setembro de 2013

“…E se me perder, ( oxalá que me perca! ), E nesta perda me encontre enfim.”

(do Poema Ausência – Alcione Boaventura)

13 de setembro de 2013

maos-34

“Ao me prevenir

me guardando,

rígida e atenta,

de um possível sofrer,

Deixo de ousar, de viver, de amar…

E já não é o que seria porque estou recuando,

e já nem  sei o que será.”

11 de setembro de 2013

risada

“A vida não sorriu pra mim,

mas meu riso é o escárnio que lhe afronta;

que rasga sua língua maldizente quando deseja anular-me;

minha liberdade lhe incomoda de tal maneira que,

ao fim,  desistirá de perseguir-me com suas frustrações

e me deixará ser feliz com minhas escolhas.”

2 de setembro de 2013

………………………LOBO MAU

POESIAS DE MIM

“Uma casa abandonada testemunha meu flagelo;

A esteira de pallha no chäo nos espera sedenta;

No corpo frágil, o opróbrio a mostra;

Na alma, o medo, cúmplice da impunidade.

Seus olhos de verdugo canibalesco

denunciam o propósito do cenário.

Näo resisto… nem me entrego…

Quero fugir apenas.

Grito e as paredes me calam;

Rejeito a sua boca velha.

Seu riso é o escárnio de um lobo em cima da presa ferida.

Eu imploro a porta aberta

e teus braços me cercam malévolos.

Sua vóz täo doce, amigo, covarde!!!

Täo friamente assassino da minha inocência.

Sua morte é minha cançäo e consolo;

O inferno te espera cobiçoso.

As marcas sobrevivem ao tempo.

Naquela casa vazia;

esteira, velha e vadia,

compartem do mal que te condena.”

(Alcione Boaventura)

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2 de setembro de 2013

CANÇÃO – Hora de Deitar

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Vem pra cama!

A rua está vazia,

a noite fria

A minha pele chama pra gente se deitar;

Vem que é hora

da gente se arder

varando a madrugada;

se lamber, se lamber,

comendo o afrodisíaco cenário…

o teu corpo,

o teu colo,

o teu ventre.

É ela com ela,

com velas de mel,

Limpar todo o céu que da boca emana.

Seu sol me fez sangrar na sua tez,

Na sua carne

É a sua vez.

Vem pra cama!

A minha pele chama,

a minha alma chama;

O nosso beijo é chama,

O nosso jeito é fama,

E o povo reclama,

Infama,

Difama,

A gente se ama;

A gente se dana,

meu bem, vem pra cama!

21 de agosto de 2013

FILOGINIA

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Sou completamente filoginia

Intimada pelo trato melindre que o traço suave exibe.

“Cherchez la femme”!

À sombra dos meus afetos sempre haverá uma.

Como não?

Se do áspero macho mata-me a ojeriza do abuso matutado,

E no dissabor destes jeitos

Só vejo os defeitos nestes ares desgraçados.

Doutro lado é pura Donaire

A gentileza distingue a beleza:

O colo, a maciez, a nobreza;

Pele e cheiro me desvaire.

27 de maio de 2013

…RECORDAR-TE……

duas mulheres

Caminhando descalça

no descaso dos teus risos,

Falsos cálices tão precisos

envenenam meus abraços.

Insisto um beijo na estupidez da memória

E beijo o drama,

sangrando em chamas

ao acordar,

Te recordar,

me recortando ao perguntar:

À quem amas?

Bruto rancor me fere com palavras que vagueiam na tua boca,

Na poesia,

Na melodia,

Na noite fria,

Memória louca.

À quem amas?

Brutas como bruta fostes

No desvelar do filme

Descapando a máscara,

Despertando a lástima,

E esta sobra,

Transborda,

Impera

na história sórdida que escrevemos juntas meu amor

Diga-me sem pudor

À quem amas?

22 de maio de 2013

………..CANSAÇO

POESIAS DE MIM

cansaco

        Cansa, esse riso falso,

           esse olhar que calço

                    para não chorar.

Cansa, essa gente estúpida,

                 essa vida estúpida

                 que não sabe amar.

     Cansa, acordar bem cedo,

                   e viver com medo

                      de me machucar.

   Cansa, esperar um abraço,

                segurando os laços

                    pra não me soltar.

       Cansa, acender a chama,

                       e dizer que ama

                 …

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19 de maio de 2013

EM BUSCA DA MORTE – de alcione boaventura / rio de janeiro

PALAVRAS, TODAS PALAVRAS

 “Onde estás Oh! Morte, que näo me encontras?

Te busco vezes sem conta e me entregas à sorte.

Mata-me a sede de encontrar-te

antes que me encontre este punhal em minhas mäos,

no impulso violento da razäo

e Deus, por FIM, de mim se afaste.

Onde estás Oh! Morte, que me feres e me assombras

como morta viva em meio as sombras?

Te deleitas em saber que näo sou forte.

Estou faminto de anseios de te ver.

Traga a paz que esta vida näo me deu!

Traga as rosas que os espinhos levo eu;

levo a dor e a amargura de viver.”

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11 de maio de 2013

“Me poupe dessa loucura de fingir ternos afagos, se o fel que regou meus prados são frutos dos teus recados.” (Alcione Boaventura)

6 de maio de 2013

……..INJURIAS…….

SERPENTE

Ya rompistes la ternura,

Ya és poca que me queda,

Me entornas las injurias,

De serpientes me anhelas.

Dame el dulce de tu lengua

que lo tuyo ya lo tengo,

Un chupito del veneno

que me diste con tus besos.

Soy mujer de piel con fibra,

atiborrada de venganza,

con un alma asombrada

y una sonrisa que te engaña.

y mataré tu imagen,

olvidaré tus historias,

que se mueran tus afagos,

que se jodan mis memorias.